terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Celeuma sobre Próteses Mamárias de Silicone

Próteses mamárias existem desde 1951, idealizadas em Houston (EUA) por CRONIN, GEROW E BIGGS. Este último, admirador do Brasil, esteve aqui por inúmeras vezes em nossos congressos de cirurgia plástica. É amigo de Rio Preto através de Melchiades C.Oliveira e Edson Gomes, estes já falecidos. Quando na primeira Jornada Paulista de Cirurgia Plástica em 1971, operou três pacientes na Santa Casa de Rio Preto. Tive a honra de ser um dos seus auxiliares.
Desde lá até hoje houve evolução enorme na qualidade de próteses e formas disponíveis. Hoje, apesar da maior segurança, não são perfeitas, como nenhuma outra é para o corpo humano. Todas sofrem uma reação inexorável e progressiva denominada “reação a corpo estranho”.
Isso obriga a troca das mesmas em prazos variáveis, em geral acima de 10 anos, dependendo da qualidade industrial, técnica operatória (o cirurgião), e das reações imunológicas provocadas por elas nas pacientes.
Um industrial francês agiu de má fé, na “calada da noite”, para burlar a vigilância das instituições responsáveis pela fiscalização, preenchendo as próteses com um silicone que se sabe lá de onde veio. Silicone puro ou com outros componentes corrosivos para manter e limpar peças de avião? Como é sua verdadeira origem de utilização.
O que tem esse silicone impróprio? Se houver nele algum produto extra, irritativo ou corrosivo para o envelope da prótese e para os tecidos, as próteses se rompem prematuramente, irritam os tecidos, impregnam-nos, como as injeções de silicone liquido em travestis, provocam reação inflamatória crônica e podem levar até a um câncer de células gigantes. Parece ser o caso.  E parece que foi o caso de mais de uma dezena de francesas.
Se não sabemos o que existe de fato dentro das próteses, o melhor é removê-las, antes da ruptura, quando tudo é mais fácil. Remover até o invólucro orgânico que naturalmente se forma em torno da prótese, a capsulectomia. Prevenir.
 A grande maioria dessas pacientes pagou o cirurgião que “escolheu” as próteses por sua vontade. Mais baratas para tornar o custo menor e concorrer mais facilmente no mercado anti-ético autofágico e predatório. Os convênios querem que nós cirurgiões sempre usemos a prótese mais barata, e nos hospitais de SUS nem se fala, exceto o Hospital de Base de Rio Preto.
Sim, mais baratas, e vendedores de próteses utilizando de manobras desaconselháveis com os cirurgiões, do tipo: utilize 4 pares e eu lhe presenteio um. Eu ouvi isso.
Basta tomar uma prótese na mão e examiná-la bem, para saber que não é adequada. Somada a uma proposta dessa, o diagnóstico está pronto. A maioria dos cirurgiões vira as costas. Graças a Deus.
E algumas pacientes mal orientadas vinham ao consultório indagar se nós usávamos as próteses francesas “eternas”. Orientadas assim por quem? Soma-se a isso o complexo de “vira-latas” de Nelson Rodrigues, que diz: a inferioridade em que o brasileiro se coloca voluntariamente em face do resto do mundo. Se for francesa é eterna? Ora ora! Que bela mentira! Será que outras importadas virão?
Agora as pacientes vão ter que se operar novamente para substituí-las. É mais que certo. E a sociedade é que paga através das resoluções dos órgãos responsáveis?
Pessoalmente discordo e penso que as pacientes privadas  é que devem arcar com seus custos e seus cirurgiões as operarem gratuitamente. Nunca se compra carro Mercedes por preço de Fusca. No caso das reconstruções pós mastectomias, se o hospital ou o convênio impôs essas próteses eles é que devem agora arcar com as conseqüências.
O Hospital de Base, onde exerço o cargo de Regente de Cirurgia Plástica, foi “autorizado” a trocar as próteses. Bela viola! E se a prótese está rompida? Os tecidos mamários doentes terão que ser removidos. E se o resultado não for adequado? E não será. E a paciente move uma ação cível contra esse médico e o hospital, livrando os verdadeiros culpados! Pessoalmente me recuso a esta prática.
Professor Doutor Antonio Roberto Bozola
Regente do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital de Base SJRioPreto.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

MITOS E VERDADES SOBRE PRÓTESES DE SILICONE (2)

Prótese de silicone não causa câncer de mama. Existem trabalhos científicos que relatam a diminuição da incidência da doença em pacientes portadores da prótese de silicone quando comparados à população sem prótese. A causa pode estar no estímulo do sistema imunológico que a prótese desencadeia e também na diminuição da temperatura das mamas que se dá quando a paciente é portadora das próteses.
Quem escolhe a forma e volume das próteses é o cirurgião plástico. É preciso ter cuidado com modismos e volumes exagerados.
Utilizou-se por muitos anos a colocação de próteses debaixo dos músculos peitorais, mas com o tempo verificou-se que os movimentos fortes de braço com a contração dos músculos peitorais também movimentavam os implantes em direção à axila. Apenas em casos muito especiais a possibilidade de colocação submuscular é considerada.
As incisões para a colocação são feitas no sulco submamário, ou periareolares ou ainda por via axilar. Esta última é discutível, pois utiliza o trajeto dos gânglios linfáticos, e as cicatrizes aparecem com a elevação dos braços. Quando existe flacidez de pele, ela pode ser removida com cicatrizes periareolares, verticais em L, em mini T ou T invertido. Prótese de silicone não reduz flacidez, apenas aumenta a dureza das mamas.
As complicações possíveis são: riscos anestésicos, hematomas, infecções pós-operatórias, seromas, rejeição, má escolha de forma, volume e da qualidade das próteses.
Próteses para nádegas são parecidas em tudo com as de mama. No entanto, exigem maior habilidade técnica do cirurgião, mais repouso e em geral são colocadas entre os músculos glúteos. Doem mais no período pós-operatório e são mais sujeitas a complicações e insatisfações.
Procure sempre um médico especialista em cirurgia plástica, que seja membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Verifique sua formação, como ele trabalha, os cursos que frequenta, a sensatez e a ética das informações e soluções que são apresentadas a você. Ame-se! Cuide-se! E não brinque com a própria vida.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Médico especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Professor e Regente do Serviço de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP) - FAMERP.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Dr Bozola e Dr Longato com equipe ao terminar cirurgia.
Maio - 2011

BELEZA HUMANA

Palestra sobre Beleza Humana, proferida em 09 de maio de 2011 no Rotary Club de São José do Rio Preto-SP

terça-feira, 31 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mitos e verdades sobre Próteses de Silicone

A prótese de silicone apareceu nos EUA na década de 50, século passado. Idealizada pelo Dr Cronin-Houston para o aumento das mamas. Durante anos foi industrializada com gel de baixa coesividade e pouca dureza para não ocorrer endurecimento.
Esse gel mole, ao longo dos anos, devido a uma reação orgânica imutável sofria vazamento através do invólucro externo da prótese e às vezes migrava para os gânglios linfáticos axilares. Então, a FDA americana obrigou a substituição do gel por soro fisiológico. O que foi uma lástima, pois o soro também vaza e a mama murcha do dia para a noite. Desconfortante também é o som produzido pelo soro fisiológico quando a mulher faz atividade física. O programa de TV que ainda fala dessas próteses está atrasado mais de 15 anos!
As indústrias e os cirurgiões plásticos concluíram que um gel mais coesivo, a superfície externa texturizada e revestida de poliuretano seriam benéficos. As próteses atuais não vazam mais mesmo que sejam cortadas e os índices de contratura capsular conhecidos como rejeição caíram vertiginosamente. Rejeição siginifica que as mamas podem endurecer, doer e sofrer deformidades. O índice de rejeição passou de 30% para 10% nas próteses texturizadas e variam apenas de 2% a 3 % nas próteses revestidas com poliuretano.
Não existem próteses que não necessitem de troca durante a vida. A reação orgânica é apenas menor ou maior e elas podem durar mais ou menos tempo sem sofrer rejeição. Antigamente as próteses apresentavem vida média de 10 anos. Tudo indica que as próteses modernas apresentarão maior durabilidade. Talvez 15 anos ou mais. Apenas o tempo e a ciência esclarecerão esta dúvida.
Procure sempre um médico especialista em cirurgia plástica que seja membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Verifique sua formação, como ele trabalha, os cursos que frequenta, a sensatez e a ética das informações e soluções que são apresentadas a você.
Ame-se! Cuide-se! E não brinque com a própria vida.